É verdade que as festas de São Paulo sempre foram memoráveis, e tudo o que descreves me faz voltar aos meus tempos de criança.
Naqueles tempos em que não abundava o dinheiro, mas que a festa sempre teve o brilho muito alto, não havia flores naturais para enfeitar o andor (também não havia dinheiro), mas eram lindas as flores de papel que eram feitas artesanalmente e o andor ía sempre lindo.
As alvoradas marcavam o valor da festa, o pregador era sempre aguardado na espectativa do sermão, mesmo que repetidamente todos os anos, as pessoas presentes na missa aguardassem a célebre frase «SALO! SALO! PORQUE ME PERSEGUES?», era o ponto alto do sermão.
Após a missa tinha lugar a linda procissão do Senhor, onde saía o andor do Senhor com o Pálio, que era levado por rapazes solteiros, (segundos os antigos diziam, eram os que ainda não tinham pecados grandes) e a Umbela. Era uma procissão feita com o maior respeito, percorria as ruas principais, ainda por calcetar, onde abundava a lama e tinhamos de andar a saltar de pedra em pedra para não ficar enlameados. Só depois do almoço (jantar, assim se chamava na altura), é que se fazia a última procissão para levar de volta São Paulo à capela, procissão também muito bonita, pois todos os santos da aldeia o acompanhavam nos seus lindos andores enfeitados. Portanto a festa tinha 3 procissões distintas, e havia pessoas, principalmente o pessoal feminino que fazia questão de estrear uma fatiota nova em todas as procissões.
Só à noite é que tinha lugar o Baile, feito no largo da fonte (ou na escola velha), à luz de candeeiros com o célebre acordionista. Ao outro dia era o dia das familias se juntarem para comerem o BUCHO. Durante uma semana, a festa estava sempre animada, só quando chovia é que se tinha de arranjar uma «loja» ou uma casa onde se pudesse dançar. Enfim tempos da minha e de outros da minha idade que nos ficam na lembrança.
É de louvar o não se ter perdido a tradição e apesar de haver algumas alterações sempre foram para melhor, a única que se devia de manter seria a procissão do Senhor.
Também eu, como tu, sinto nesta altura a falta da presença daqueles que nos foram tão queridos e que viviam esta festa com toda a devoção, já partiram, mas neste dia parece que quando olho os vejo nos lugares que estava habituada a vê-los, e sinto que estão ao meu lado.
Aos mordomos desejo que tudo corra como planearam e que VIVA SÃO PAULO!
Virgínia Lages

Dizem os nossos pais que os antigos já tentaram mudar a data da festa de São Paulo e que nesse ano os marranos da aldeia foram todos vítimas de misteriosa peste que a todos «vindimou». É uma lenda e vale o que vale. Mas por isso, ou também por isso, todos os anos os mordomos recomendam aos que vêm a seguir que melhor seria mudar a data para o Verão, ou pelo menos, para o fim-de-semana a seguir ao dia 25 de Janeiro. E todos dizem que sim, todos dizem «que seria muito melhor». E a proposta vai passando religiosamente de ano para ano. Sem efeitos práticos já se percebeu. Até porque enquanto houver ruivosenses residentes ou na migração deverá haver festividade da conversão de Saulo na Estrada de Damasco. Assim seja!


















































































